DEUS DARÁ

Ana Miranda


Páginas 224
Preço R$ 27,50
Formato 14 X 21 cm
   
Minha biblioteca


Existe uma estranha geografia em minha cabeça, que se refere a um mundo em torno de mim, um mundo físico, palpável, mas de significados infinitos. Essa estranha geografia surgiu do meu hábito de viver trancada num escritório cheio de livros. Esses livros dispostos numa serena ordem um ao lado do outro representam a minha mente como um mapa a um país. Se fecho os olhos, as prateleiras de livros se acendem dentro de minha cabeça, como se minha cabeça fosse também um aposento forrado de estantes de livros em que cada um deles é uma porta para um mundo diferente. Todos são logicamente posicionados, de acordo com um sistema funcional. Se me recordo de um desses livros, meu olhar vai diretamente ao lugar em que se encontra. Raras vezes algum se perde, mas quando isso acontece caio numa espécie de desespero. Algumas vezes basta olhar a lombada de um deles para receber sua influência, como uma secreta ligação, feito as ondas do mar em relação à Lua. Às vezes sinto um apelo irresistível, como se um deles me chamasse, e seja em que momento for, levanto da cadeira, retiro o livro da estante e o folheio, para ouvir o que tem a dizer. Esses livros determinam meus sentimentos, meus pensamentos, meu entendimento do mundo. Eles são o mapa de minha alma. Cada um deles representa uma região, um lugar onde estive, e onde ainda estou.

Há entre eles, claro, os livros escritos por mim, mesmo os traduzidos em outras línguas. Ficam separados numa das prateleiras, rabiscados desde a primeira página onde se encontram as palavras manuscritas: “meu exemplar de trabalho”. A leitura sistemática e assídua que realizei nestes últimos anos, sendo grande parte sobre livros de história ou história literária, dotou minha mente de uma desconfortável consciência histórica. Assim, tenho sempre a sensação de que nada me pertence, de que nenhuma palavra que escrevi é minha, de que não sou autora de meus próprios trabalhos, mas apenas um elo na construção literária da humanidade, uma pequena e frágil conexão entre um e outro tempo, massacrada pelas circunstâncias históricas.

Todos esses livros são para mim seres vivos, que sorriem, choram, zombam, ensinam, atraiçoam, respiram. Há cerca de vinte anos vivo por eles dominada. Quando criança tive uma pequena biblioteca, da qual me lembro de apenas alguns títulos. Ao sair da casa de meus pais, aos dezessete anos, ela ficou em meu quarto, e se perdeu. Tive depois disso apenas uma biblioteca que se foi ampliando com o tempo. A cada vez que eu me mudava de casa, levava caixotes repletos de livros. A cada mudança eram mais e maiores caixotes. Houve um momento em que a minha coleção de livros passou a ser realmente uma biblioteca, quando precisei criar uma ordem, a fim de que pudesse encontrar os volumes. Isso aconteceu cerda de quatro anos antes de eu publicar o meu primeiro romance, quando eu morava numa mansarda cujas janelas se abriam para uma paisagem de telhados, quando aprendi a conhecer o mundo dos telhados, povoado de gatos, estrelas e a Lua, além de alguns animais repugnantes, como lagartixas ou algum camundongo perdido. A mansarda tinha apenas dois ambientes: um escritório, uma cozinha-armário e um jirau que servia de quarto formavam o primeiro ambiente; o outro era apenas um desproporcionalmente grande banheiro onde cabiam máquina de lavar e de secar roupas. O escritório tinha apenas uma das paredes coberta de livros, organizados por gêneros, como romance e conto, poesia, ensaio, livros de referência. Eu tinha uma vida austera e comprava livros com parcimônia. Cada livro que passava a fazer parte de minha biblioteca tinha um significado para mim, havia sofrido uma espécie de prova e se integrado à minha estrutura pessoal. Eu os sentia todos ligados a mim por fios invisíveis. Sair de perto deles era uma espécie de rompimento, e eu me sentia perdida. Passei a gostar de permanecer apenas ali perto deles, uma espécie de prisioneira voluntária, conformada, até mesmo feliz.

Em seguida me mudei para um lugar maior, onde o escritório todo em madeira era voltado para um jardim – também apareciam gatos, estrelas, a Lua, ratos e lagartixas, além de caracóis, lesmas, vorazes lagartas verdes que acabaram se tornando minhas amigas, minhocas, joaninhas, uma infinidade de bichos moradores ou visitantes – e três paredes de estantes abrigavam uma quantidade bem maior de livros. Lembro-me de minha atividade ao mesmo tempo frenética e monótona, subindo de descendo degraus, tirando e devolvendo livros, abrindo e fechando páginas, guardando, registrando na mente cada lugar, cada palavra, cada frase que se tornava importante para mim. Na época eu ainda dispunha de espaço, estava numa situação financeira um pouco melhor e tinha uma incontível ganância em adquirir livros, que se amontoavam na minha cabeceira esperando a vez de serem lidos até merecerem entrar no recinto sagrado de meu escritório. Eu buscava não apenas livros novos, quer dizer, ainda não lidos por mim, como tentava recuperar os que havia lido na adolescência ou mesmo na idade adulta e que estavam perdidos, fisicamente. Ainda tinha a ilusão de que poderia guardar comigo todos os livros do mundo.

Hoje vivo num escritório mais amplo, branco, com janelas de vidro rasgando uma das paredes de um a outro lado, por onde se avistam a cidade do Rio de Janeiro, o mar, as ilhas Cagarras, Palmas, Redonda etc., o céu, estrelas, a Lua. Em vez de gatos ou insetos vejo pássaros ou surpreendentes balões dirigíveis, ou helicópteros, ou aviões. A biblioteca que me circunda é imensamente maior do que as anteriores, apesar de meu rigor na entrada e permanência dos volumes. Os meus livros convivem pacificamente com os livros de meu marido. É uma casa onde os livros são o centro de tudo. Há livros na sala, no quarto, na cozinha, no corredor, nos quartos das crianças, claro, no quarto da empregada (minha assessora especial diz que na próxima vida voltará como escritora), livros no banheiro. Os livros, como as pessoas, têm seu destino. Penso sempre no que acontecerá com esses livros, depois de minha morte, se é que algum dia eu vá morrer, sempre tenho a esperança de assistir à descoberta da fonte de imortalidade. Meu filho não terá interesse por eles? Quem sabe algum neto. Alguém os comprará a quilo para serem vendidos num sebo? Talvez eu possa doá-los a uma instituição, ou a pessoas amadas, como fez um amigo meu que morreu muito jovem e sua morte anunciada permitiu que ele fizesse um testamento distribuindo sua biblioteca.

Graças a ele, tenho edições antigas de Proust, Updike, Milan Kundera ou Guimarães Rosa.



Caros amigos, fevereiro de 1998

Um amor, uma cabana

Nossos pais diziam que para nos tornar seres completos era preciso escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Meu pai, que era engenheiro, acrescentava: construir uma casa. Escrevi livros, até demais, tenho um filho e plantei uma árvore, no jardim da casa onde cresci, uma muda de pau-rosa, ou flor-do-paraíso, que havia sido esquecida ao lado de uma cova estreita e funda, uma muda frágil, com poucas folhas, mais alta do que a menininha que a salvou. A muda cresceu, transformou-se em um majestoso flamboyant, coberto de flores vermelhas.

Mas nunca construí uma casa. Sonho com isso. Gostaria de construir uma casa de taipa, com as próprias mãos, amassar o barro, atirar o barro nos enxaiméis e fasquias de madeira. Não se trata de uma idiossincrasia, nem de um gesto poético, muito menos uma visão religiosa. A taipa é um material apaixonante. Tem uma nobreza histórica. As reforçadas casas e igrejas coloniais brasileiras foram feitas de taipa de pilão, há ainda hoje na Alemanha casas em taipa construídas no século 13, a própria muralha da China, símbolo da solidez, é taipa. A taipa tem mais de 9.000 anos, serviu a construções no Egito, na Mesopotâmia.

Um amigo meu, arquiteto, projetou e construiu belíssimas casas de taipa. Ele se chama Cydno da Silveira e o conheci em Brasília, poucos anos depois de plantar meu framboyant. Cydno estudava na UnB quando, observando residências rurais, surpreendeu-se com a quantidade de casas de taipa, feitas de maneira intuitiva, quase como as abelhas fazem suas colméias. Nunca tinha ouvido falar naquilo em seu curso, e percebeu o quanto era elitista o ensino de arquitetura. Fotografou as casas de taipa todas que encontrava. Ele se formou, passou a trabalhar com as técnicas industriais, como concreto armado, mas nunca esqueceu a taipa. Deu-se conta de que não sabia construir da maneira mais rudimentar e resolveu aprender. Estudou durante anos a técnica. Descobriu taipas diversas, como a de pedra, usada no Piauí, a de madeira com bolas de barro, vista no Maranhão, a taipa de carnaúba, a taipa mista de moldura de tijolos, a taipa feita com sobras de madeira e sucata. Descobriu a maleabilidade incrível do barro, novas estruturas, novos dimensionamentos do espaço e imensas possibilidades de melhoria na técnica tradicional. Estudou a combinação com elementos da cultura industrial, mas sem descaracterizar a antiga construção de estuque.

A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali, a terra e as árvores e tem uma grande contribuição a dar a um país que não oferece moradia para todos, como o Brasil. O projeto de casas populares, que Cydno afinal desenvolveu, ensina o homem a construir sua própria casa e a cuidar dela. Tem o sentido de manter viva a sabedoria popular da taipa. Está sendo feita uma experiência na cidade de Bayeux, Paraíba, para treinamento de pessoas no projeto, construção, melhoria e restauração de edificações em taipa de pau-a-pique. Não recebendo a casa pronta, mas construindo-a, o dono toma por ela mais amor. Se for privado de sua terra, ele saberá construir uma nova habitação. O saber lhe pode servir como meio de vida, e a profissão tem um nome: taipeiro.

A casa de taipa é uma grande alternativa para a habitação no meio rural e nas periferias urbanas. Típica das populações mais pobres, é uma forma de independência, uma estratégia milenar de abrigo, preservada nos sertões brasileiros especialmente pelas mulheres. O sistema de autoconstrução elimina a aquisição de material, o transporte, o crédito, elimina o BNH e o processo industrial de construção, permite o mutirão e, principalmente, educa. É rápida a construção, usa-se mão-de-obra não qualificada, e é um instrumento para a posse imediata da terra. Permite uma construção tanto de caráter provisório quanto perene e a técnica pode ser levada a lugares onde não chega o material industrializado. Uma simples caiação evita a umidade e basta fechar as frestas onde o barbeiro gosta de fazer seu ninho. Integra a família, as mulheres e as crianças trabalham na construção e integra o grupo na sociedade quando em regime de mutirão. Apesar de tudo isso é completamente ignorada pelos meios administrativos, considerada subabitação, não há nem mesmo linha de crédito nos órgãos do governo para casa de taipa. Marcos Freire, antes de morrer, estava tratando de corrigir esse lapso. Nas esferas “civilizadas” há dificuldade em compreender a taipa. Não há legislação nem a favor nem contra. Quando da construção de Carajás, Cydno realizou um projeto de moradias em taipa de pau-a-pique para os empregados, utilizando o fartíssimo material do lugar. Seu projeto não foi aceito e os tijolos, o cimento e o ferro viajaram de avião até Carajás.

Na taipa não há desperdício de material e nem agressão ecológica, a madeira usada nas estruturas é em quantidade cinco vezes menor do que a necessária na queima de tijolos para uma parede das mesmas dimensões. “A tomada de consciência ecológica, surgida como uma ponte de luz no extremo mais estreito do túnel da crise de energia, vai servindo para provar-nos que nem sempre o habitat humano está condenado a ser feito de concreto, aço e vidro. Assim, quando tudo em arquitetura parecia dirigir-se para uma negação sempre maior da natureza que volta a oferecer uma saída diante das agruras da crise. E o faz com aquilo que lhe é primeiro e essencial, a terra, o elemento mais fecundo de tudo o que nos cerca”, escreveu o arquiteto Roberto Pontual.

Quando, nos anos 1930, Lúcio Costa projetou uma vila operária, em Monlevade, toda em taipa de pau-a-pique, escreveu: “...faz mesmo parte da terra, como formigueiro, figueira-brava e pé-de-milho – é o chão que continua... Mas justamente por isso, por ser coisa legítima da terra, tem para nós, arquitetos, uma significação respeitável e digna, enquanto que o pseudomissões, ‘normando ou colonial’, ao lado, não passa de um arremedo sem compostura”. E aconselha: devia ser adotada para casas de verão e construções econômicas de um modo geral. É uma técnica muito mais barata, atende aqueles casais remediados que desejam uma casinha de campo. O projeto de Lúcio Costa, claro, não foi aceito pela Belgo Mineira.

O Cydno vai projetar a minha casa de taipa. Vou querer na casa uma lareira, um fogão a lenha e uma vassoura daquelas de gravetos. Uma árvore frondosa por perto, pode ser flamboyant, um gramado na sombra para piquenique, contemplação ou leitura. Também dizia meu pai, nas coisas mais simples está o sentido da vida.


Caros amigos, agosto de 1997

Alfonsina y el mar


Alfonsina Storni escreveu seu último poema, “Voy a dormir”:

Dentes de flores, coifa de orvalho

mãos de ervas, tu, amável nutriz,

prepara-me os lençóis de terra

e a colcha de musgos capinados.


Vou dormir, ama-de-leite, deita-me,

põe uma lâmpada na minha cabeceira,

uma constelação qualquer;

todas são boas; inclina a luz mais um pouco.


Deixa-me só: ouve brotar os ramos...

lá do alto do céu um pé te embala

e um pássaro desdenha teus compassos


para que esqueças... Gracias. Ah, um recado:

se ele chamar novamente ao telefone

diga-lhe que não insista, que me fui...


Ela caminhou na areia, com o passo lento e os olhos frios e a boca muda deixou-se levar pelo mar, a fria esmeralda, transformando em poesia sua própria morte. Crepúsculo. Como Safo, atirou-se ao mar, de um rochedo. Como Virginia Woolf, afogou-se no rio com uma pedra amarrada aos tornozelos. Trágica coerência. Alfonsina Storni criou uma perfeita metáfora da morte em “Yo en el Fondo del Mar”(1934): a morte é uma cidade marítima de beleza alucinante, uma edificação desesperada, uma casa de cristal, um peixe de ouro que lhe traz um ramo vermelho de flores de coral sereias de nácar, verde-mar, colunas de prata, veludos de coral são a arquitetura da nova e definitiva “casa humana”, que nada pode perturbar, onde nenhum ruído chega. O silêncio. “Um sol branco, uma luz esmerilhada e ambarina banha esse páramo de estranha quietude onde os poucos seres vivos – sereias, animais do mar – apenas balançam”. O desenlace. Se a vida começou no mar, no mar termina.

Alfonsina Storni é uma das musas latino-americanas, a mais popular de todas as poetisas argentinas, famosa não apenas por causa da zamba gravada por Mercedes Sosa:

“Te vas Alfonsina con tu soledad, que poemas nuevos fuiste a buscar?”

Não apenas por suas poesias de uma natureza exultante e amorosa, de uma simplicidade lingüística admirável para a época, não apenas por suas inquietações femininas, sua luta contra as condutas sociais encobridoras da feminilidade, mas também por sua existência dramática.

Sua vida foi de grande desamparo econômico e carência afetiva. Nasceu na Suíça italiana, em 1892, filha de argentinos. Viveu a infância em San Juan e depois em Rosário, onde seu pai abriu uma cafeteria chamada Café Suizo. Alfonsina teve uma breve experiência como atriz mambembe. Fez a escola normal em Corondo e tornou-se professora em Buenos Aires. Num período muito difícil de sua vida teve um filho, Alejandro, e precisou trabalhar como caixa, balconista de loja, redatora publicitária.

Quando seus trabalhos em poesia lhe deram um pouco mais de estabilidade, com a publicação de livros e a consagração por meio de um importante prêmio literário, Alfonsina passou a colaborar com revistas e jornais, a freqüentar as rodas literárias, tertúlias de pintores, a viajar para a Europa e dar conferências. Foi a primeira mulher a comparecer aos banquetes de escritores, reservados até então aos homens. Fez uma célebre apresentação que deslumbrou o público, junto à poetisa que recebeu o Nobel, Gabriela Mistral, e Juana de Ibarbourou.

Alfonsina deixou oito livros publicados. Logo depois de sua morte, seus poemas de amor, os mais espontâneos e atávicos, do começo, uma celebração instintiva da experiência erótica, passaram a ser recitados nas casas, nas ruas, aos ouvidos dos enamorados. Com o tempo sua poesia posterior, mais enigmática, foi sendo compreendida e apreciada.

Ela escrevia com a intuição. Os poemas vinham à sua mente “prontos na forma e no conteúdo. Quase em transe ela escrevia a “maioria dos sonetos em poucos minutos, a lápis, em um lugar público, um veículo em movimento, ou em seu leito, acordando a toda hora”— ainda que depois gastasse meses em revisões. Seus livros foram escritos aos poucos, entre tarefas esmagadoras que a impediram de “serenar-me, completar minha cultura, fazer uma sossegada obra de arte.”

Atrás dessa história de uma vida de escritora, há a sua verdadeira biografia, que se passa numa dimensão mais profunda e misteriosa: seus desencontros, suas decepções, seu definitivo pessimismo quanto às possibilidades do amor, o suicídio do melhor amigo, o escritor Horacio Quiroga, o câncer no peito, seu isolamento, o seu irreversível desassossego, até sua morte em 1938, aos 46 anos de idade.

Sua vida e sua poesia são cheias de pressentimentos, “tengo el presentimiento que he de vivir muy poco”(1918), uma víbora branca que docemente lhe pique o coração, “Un día estaré muerta, blanca como la nieve” (1919), a morte foi tomando seus poemas, “una luz tamizada que ha de cubrirme toda, con su velo impalpable como un velo de boda”, o silêncio a chamava, o silêncio e a morte aos poucos se tornaram uma obsessão, o silêncio era a imagem da morte, a água azul, a melancolia era a morte, “Oh muerte, yo te amo, pero te adoro, vida...”, o mar surgiu como a paz final, os traços de seu destino se delineavam, em frente ao mar, das ondas prisioneira, “Oh mar, dame tu cólera tremenda”, mar, eu sonhava ser como tu és, mar, dá-me o inefável empenho de tornar-me soberba, inalcançável, como dizer o mal que me devora, o qual que me devora e não se acalma? O seu corpo e a sua alma cada vez mais invadidos pela natureza, os musgos, as ervas, as camadas de terra, “Epitafio para mi tumba”(1934): “Aquí descanso yo: dice Alfonsina”, o mar sem fundo, almas abraçadas a suas largas. O mar imóvel. Paredes de água me farão cortejo na tarde resplandecente, a morte: mística flor, técnica e fria. Lua minguante. A poesia: não me atrevo a mirar teus olhos puros.

De Alfonsina há uma estátua numa praia em Mar del Plata, onde as ondas do mar vêm depositar algas e conchas. Alfonsina morreu para não morrer. Suas poesias estão vivas.



Caros amigos, novembro de 1997

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