\n'; document.write(barra); } } changePage();
|
"Desmundo"
vence desafio em Brasília
Brasília
-
Com Desmundo,
segundo longa-metragem da competição em Brasília, Alain Fresnot
encarou, e se saiu bem, um dos mais problemáticos desafios para um
cineasta nacional - o do filme histórico. Baseado no livro homônimo de
Ana Miranda, Desmundo fala de um Brasil dos primeiros anos da
colonização, País ainda de todo primitivo, habitado por homens e
mulheres rudes. Para esse país eram enviadas órfãs portuguesas, para
que casassem com os colonizadores que viviam em pecado com as índias, por
falta de mulheres brancas.
Oribela (Simone Spoladore, de Lavoura Arcaica), é uma dessas órfãs.
Tirada de um convento português, vem para a colônia casar-se com um
senhor de engenho, Francisco Albuquerque (Osmar Prado). Apavorada diante
de um mundo selvagem que não compreende, Oribela tenta de tudo para fugir
e voltar a Portugal. Vale até mesmo envolver-se com um cristão novo,
Ximeno (Caco Ciocler), comerciante que pode colocá-la em uma nau de volta
à Europa.
Tudo nesse filme funciona bem, dos atores à direção de arte,
passando pela notável fotografia de Pedro Farkas. Mais que isso, ele começa,
se desenvolve e termina com a mesma cadência, lenta e implacável, e impõe
esse ritmo ao espectador. Assiste-se muito bem a ele e guarda-se pelo
menos duas cenas de impacto na memória. Numa delas, Oribela, prestes a
ser possuída por Francisco, tenta conter sua repulsa enfiando as unhas no
próprio braço. A compreensão de que causa asco na mulher traduz-se no
rosto devastado de Francisco. Por obra de Osmar Prado, naquele momento o
bruto humaniza-se. Na outra, no quase desfecho, a iminência do duelo
entre Francisco e Ximenes, com Oribela no meio dos dois, constrói raro
momento de tensão e suspense.
O público do Cine Brasília aceitou o ritmo de Desmundo,
acompanhou-o com atenção e aplaudiu com civilidade. Respeitou o filme,
mas, ao que tudo indica, não o amou. Reação compreensível. Falta ao
conjunto de Desmundo a paixão que apresenta em alguns dos seus
momentos.
________________________________________________________________________________________________________
Em pleno Brasil colonial, uma jovem órfã
portuguesa é enviada ao país para se casar com um dos colonizadores que
vivem no Brasil. Não aceitando seu destino, uma delas busca fugir de seu
novo marido e retornar ao seu país natal. Dirigido por Alain Fresnot (Ed
Mort) e com Osmar Prado, Caco Ciocler e Simone Spoladore no elenco.
_________________________________________________________________________________________________
Interpretações e trilha valorizam "Desmundo"Daniel Schenker Wajnberg "Para onde estamos indo?", pergunta Oribela (interpretada pela atriz Simone Spoladore, revelada no cinema no belíssimo "Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho), recém-chegada ao Brasil, em 1570, a Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), homem cruel, que, contudo, não consegue domá-la. A geografia expressa a impossibilidade de realização da protagonista, confinada, sertão adentro, com um marido imposto. A fuga, ao lado de Ximeno (Caco Ciocler), a leva de volta ao encontro do mar. Sem se prender ao desenrolar do triângulo amoroso tradicional, o diretor Alain Fresnot trocou a descontração de "Ed Mort" pela sobriedade em "Desmundo", transposição cinematográfica do romance homônimo de Ana Miranda. Nos momentos em que rompe a barreira da abordagem convencional - e teria sido possível potencializar, sem, com isto, evidenciar, determinados subtextos -, Fresnot toca a dor de uma vida seqüestrada, de uma mulher destinada a se transformar numa pálida sombra de si mesma. Mas as mulheres também têm o seu poder de sedução e manipulação, ainda que exercido de forma oculta e subterrânea. Recebido sem muitas reservas no Festival de Brasília, "Desmundo" é valorizado pelas ótimas interpretações do elenco coadjuvante (valendo destacar, principalmente, Berta Zemel e Beatriz Segall, mas também Debora Olivieri e uma curiosa participação dos "Parlapatões" Alexandre Roit, Hugo Possolo e Raul Barretto). Excelente o aproveitamento da trilha sonora, a cargo de John Neshling. Tribuna da Imprensa on-line - 26 de novembro de 2002
|
Design by: Rodrigo
Colasanti 