Caderno de sonhos

Ana Miranda


Páginas 138
Preço R$ 22,00
Formato 13.5 X 19.5 cm
ISBN 85-86488-08-9
    Sonho

26 dez 72

Uma mulher fica com ciúmes ao ver meu marido brincando com outra mulher e me pede para brincar de mulher e marido com ela. Deitamos numa cama e nos abraçamos, chupo o pescoço dela e passo o dedo no rego de suas nádegas. Ela me lambe entre as pernas. Chega meu marido com a outra mulher no colo, sem calcinha. Ele diz que estavam brincando lá fora. A mulher demonstra muita felicidade. Digo ao meu marido que eu também quero ser feliz. Ele responde que eu sempre fui feliz, mas nunca vou poder sentir isso, pois alguém me jogou uma maldição de esquecer. Pergunto quem foi, e ele responde que foi alguém que me amava, mas já morreu, portanto a maldição não pode ser desfeita. Só se eu descobrir quem fez a maldição. Procuro lembrar os nomes das pessoas que conheci e já morreram, mas não lembro de nenhum. Encontro um caderno de telefones, mas está em branco. Fico desesperada, pergunto a qualquer pessoa que encontro na rua se conhece alguém que já morreu. As pessoas dizem nomes de estranhos. Não consigo nunca descobrir e sofro cada vez mais, choro, quero acordar mas não consigo.

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Caderno de Sonhos
A escritora Ana Miranda revela sua intensa atividade noturna



“Vejo um homem no fundo de um poço profundo e escuro. Da beira do poço vejo estrelas no chão negro. O homem me pede ajuda. Tiro meu rabo peludo, que é muito longo, jogo-o dentro do poço e o homem sobe por ele.” Desde pequena, a escritora cearense Ana Miranda tinha o hábito de anotar viagens noturnas como esta em cadernos de espirais. Adolescente, percebeu o potencial literário de seus sonhos. Preencheu inúmeros cadernos com anotações e desenhos, mas o único que resistiu ao tempo foi este que agora é publicado pela Dantes Editora (144 págs., R$ 22).

No prefácio de seu Caderno de Sonhos, Ana Miranda diz que palavras não são suficientes para descrever os sonhos. Que seria preciso inventar outro sistema “tão fabuloso quanto o alfabeto o é para a transmissão dos pensamentos, um sistema mais próximo do ideograma”. Mas o fato é que a escritora – que também é poeta – é muito hábil ao desenhar emoções com as palavras. Por mais abstratas que sejam. Em cada página, preenche todo o quadro e monta suas cenas, com grande capacidade de síntese. Às vezes há cenários, outras vezes só diálogos. Há sonhos em que o figurino é fundamental - nem que seja só para ser rasgado e destruído. Em outros, é inexistente, pois Ana está nua.

A nudez, o sexo e a morte são presenças constantes no imaginário onírico da jovem de 21 anos que ainda não havia escrito um livro. Ana, que hoje tem 49 anos, escreveu este caderno de forte conteúdo erótico num período particularmente fértil de transformações físicas e emocionais. Estava grávida de seu filho. Fica evidente que os anjos e os demônios povoavam a vida da escritora muito antes de lançar seu primeiro livro de poesias, em 1978.

Paula Alzugaray - Isto e online, Quarta, 5 de fevereiro de 2003

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Os sonhos de Ana Miranda na juventude

A romancista publica livro com anotações das suas experiências oníricas 

Carlão Limeira/AE
Publicação acrescenta aos livros de Ana aspectos pessoais

JOSÉ CASTELLO

Por que um escritor deveria anotar seus sonhos? E por que, anos depois, um editor deveria interessar-se em transformar esses sonhos anotados em um livro? Quando começou a tomar nota dos sonhos reunidos nesse Caderno de Sonhos (sonhos sonhados entre 3 de dezembro de 1972 e 23 de março de 1976), a então atriz Ana Maria Miranda, como a chamavam na época, tinha 21 anos e estava grávida de seu único filho. Não pensava em publicá-los, ao contrário, acreditou que anotava apenas para si. Também não sonhava em tornar-se uma escritora, ou esse era ainda um sonho difuso, de modo que não houve intenções literárias escondidas nessa decisão. O filho nasceu e Ana continuou a registrar seus sonhos durante seus três primeiros anos de vida.



Ao longo dos anos seguintes, teve outros cadernos de sonhos, cujo número não sabe precisar; mas todos se perderam, só esse se conservou. 
Um quarto de século depois, quando Ana Miranda, como agora ela assina, decidiu publicar seus sonhos de juventude, contrastados com os relatos de seus livros de ficção, eles ganham inesperadas tonalidades. Vêm acrescentar aos livros aspectos pessoais que pareciam perdidos, camuflados, ou que eram desconhecidos, fator que poderá enriquecer a leitura de suas ficções. "Havia alguém em meu interior diferente de quem eu acreditava ser", ela diz na breve introdução que produziu para a coletânea. Ao anotar os sonhos, cogita ainda, quis livrar-se dessa sua assustadora personalidade noturna, que, de outra maneira, e mais tarde, trabalhou em seus livros. Seguiu sem saber, agora constata, o mesmo caminho de escritores como o norte-americano Van Dusen, célebre por suas reuniões de sonhos, e até do próprio Sigmundo Freud, que interpretou alguns dos sonhos que teve, como o da garganta de Irmã, e sonhos de seus pacientes, como o dos lobos na árvore. 
Todos os mecanismos inerentes ao sonho - a atemporalidade, o paradoxo, a condensação, o deslocamento, a substituição, etc. - reaparecem, com fartura de detalhes, nos sonhos de Ana. Mecanismos que, afinal, também presidem a criação literária, quando o deslocamento se transforma em metáfora, a substituição em metonímia, a condensação em sinédoque e assim por diante. 
Nos sonhos de Ana, como em todos os sonhos, misturam-se restos de experiências diurnas, desejos inconfessáveis, recordações remotas e fantasmas pessoais, todos devidamente mascarados ou deformados. 
Detalhes - Nos sonhos reunidos nesse Caderno aparecem, por exemplo, os desejos sexuais da escritora, suas fantasias mais reprimidas: ela seduz jogadores de futebol, salva-vidas, homens simplesmente descritos como "bonitos", entrega-se aos prazeres do amor em lugares constrangedores como um bordel, um tribunal, o paraíso, sem que a censura, a lógica, o pudor, ou as convenções sociais possam interferir. "Vejo na rua um homem muito bonito e o convido para ir para a cama comigo", começa o sonho de 22 de agosto de 73. E mesmo sentimentos desagradáveis como a aversão ou a repugnância não bastam para barrar essas fantasias, como aparece num sonho de 20 de março de 74: "Faço sexo com um homem velho. Estamos num quarto de hotel, há duas camas, uma janela coberta com cortina, um grande armário", sonho em que se revela seu gosto pelas descrições minuciosas. 
No primeiro sonho do livro, de 3 de dezembro de 72, Ana se vê num vestido de seda, dançando, num terraço, com um homem de terno preto. Os dois terminam fazendo sexo, mas o ritual amoroso é interrompido pelo pai de Ana, que aparece na porta, com uma vela na mão, e faz sinal para que ela fuja. Mas Ana avisa que não vai fugir, porque o homem é seu marido. No último, datado de 23 de março de 76, Ana está perdida no topo de uma montanha, sozinha, e ainda lhe resta caminhar muito até chegar a seu país. Apesar do medo, avança. No meio do caminho, um homem a agarra e tenta estuprá-la. Foge, encontra com um amigo e lhe pede socorro mas, para sua surpresa, ele tenta violentá-la também. Na fuga, perde seu saco de mantimentos, mas sabe que terá de continuar assim mesmo. Não há fio linear algum, contudo, ligando o primeiro ao último sonho. A leitura do Caderno de Sonhos, de Ana Miranda, confirma a velha tese freudiana de que os sonhos não respeitam as leis da lógica, a noção humana de tempo, ou qualquer tipo de bom senso. São, ao contrário, arbitrários, dúbios, indomáveis. 
A quebra do tempo aparece em sonhos como o sonhado em 23 de março de 74: 
"Vivo no século 18, sou casada com um médico que desenha e pinta cenas da vida da cidade. Sou poeta e acabo de escrever um poema", ela começa a anotar. Em 73, Ana estava grávida e esse aspecto da vida real aparece insistentemente nos sonhos da época. "O neném nasceu e é colocado num aquário. (...) A água parece um espaço sideral infinito, negro, repleto de estrelas e nebulosas coloridas. (...) Quando me afasto do aquário, vejo que o neném desapareceu" (sonho de 14 de janeiro de 73). Elementos como o choque, a tensão, o suspense, o susto estão presentes, de modo insistente, nos sonhos anotados por Ana, definindo a atmosfera de suspense e de inquietação que costuma caracterizar os sonhos ruins, isto é, os pesadelos. 
Podiam não ser os sonhos de uma escritora, ser apenas os sonhos de uma mulher qualquer. Na face escura da mente, prestígio, talento, títulos, nada disso importa, tudo se nivela. Mas, já que foram sonhados por uma mulher que viria a ser uma escritora, os sonhos de Ana podem ser apreciados por seus leitores, hoje, como rascunhos muito primitivos de seus livros. Neles também a sensualidade, a coragem, a luta pela autonomia, a riqueza de detalhes, os sentimentos extremos são aspectos que não se podem desprezar.

Jornal O Estado de Sao Paulo - 5 de agosto de 2000

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Escrever os sonhos é uma maneira de se exercitar a memória

Por Schneider Carpeggiani

A escritora cearense Ana Miranda parece não se preocupar em seguir qualquer estilo fixo em suas obras. Sua estréia literária foi a aclamada biografia do poeta baiano Gregório de Matos – o Boca do Inferno. Depois, enveredou em outro gênero, com o livro de contos Noturnos, escrevendo ficção seguindo regras bem formais, como se eles fossem poemas clássicos. Para a série Perfis do Rio, relatou a vida da enigmática Clarice Lispector como uma espécie de diário da autora de A Paixão Segundo GH em terceira pessoa. Em seu mais recente livro, Caderno de Sonhos (Editora Rocco, R$ 22, preço médio), ela publicou um registro fiel do que sonhava quando estava grávida de sua primeira filha, no já distante início dos anos 70. Nesta entrevista para o Jornal do Commercio, Ana Miranda fala da barreira entre o mundo onírico e a literatura e lembra como Rubem Fonseca foi importante no seu ofício de escritora.

JORNAL DO COMMERCIO – Na introdução do seu mais recente livro, você afirma que tinha o costume de transcrever o que sonhava em cadernos e esse publicado foi o único que restou. O que aconteceu com os outros, e como surgiu o interesse em fazer um registro desse tipo?

ANA MIRANDA – Não me lembro muito bem como comecei, nem os motivos que me levaram a anotar meus sonhos. Sei que tinha uma compulsão de escrever, escrevia poesias, diários, recordações de escola, pequenos contos de ficção. Tinha cadernos onde escrevia e desenhava. Os cadernos ficavam por perto, talvez algum tenha ficado na mesa de cabeceira, acordei com um sonho intrigante e o anotei, deve ter sido assim. Como eram sonhos muito imaginativos, me interessavam como registro da minha vida inconsciente, do meu mundo secreto. Passei a anotar os sonhos, e quanto mais os anotava, mais me lembrava deles, a tal ponto que passei a fazer cadernos só de sonhos. Ficaram na casa de minha mãe, quando me mudei para o Rio de Janeiro.

Um dia, muitos anos depois, minha mãe me mandou um caixote com papéis meus, desenhos antigos, trabalhos de escola, mesmo da minha alfabetização, cartas que recebi, fotos. No meio estava o caderno de sonhos que eu havia escrito durante a gravidez. Minha mãe sempre guardou tudo de suas filhas, a Marlui Miranda e eu. De vez em quando encontro preciosidades, ou coisas que gostaria de rasgar, tenho ímpeto de rasgar muitas coisas, o que é uma estupidez sem tamanho, mas sou assim, e graças a Deus tenho minha mãe para guardar as coisas para mim.

JC – Um dos pontos interessantes da obra é que, por mais que você afirme que todos os textos se tratam de simples registros do que sonhou, é impossível que se saiba se isso é verdade. É mais ou menos como quando alguém pergunta se determinado texto seu é autobiográfico ou não, só você pode saber o que realmente aconteceu. Fale um pouco entre essa suposta ligação entre a literatura e o mundo dos sonhos.

AM – Os sonhos são os mesmos que escrevi no caderno, não acrescentei nenhum tirado de minha imaginação acordada, apenas retirei alguns que não achei merecedores de constar no compêndio, ou muito enigmáticos, ou repetitivos. Se são verdade, nem mesmo eu posso saber. A realidade é que são textos escritos, e não mais sonhos. São lembranças de sonhos e não mais sonhos, os sonhos são uma outra linguagem, uma espécie de cinema absurdo, vivido como se fosse real.

JC - Você acha que um sonho possa ser tratado como literatura?

AM – Quando se escreve um sonho, ele se transforma em literatura. Para um escritor, escrever os sonhos é uma maneira de exercitar a memória, e mesmo a imaginação, pois muitas vezes da anotação do sonho é apenas uma senha, um desenho, uma frase, uma palavra. O sonho é matéria literária quando se transforma em texto. Mas é matéria patológica quando se transforma em tratamento de psicanálise, por exemplo. O sonho sempre foi matéria literária. Há livros que são tratados de sonhos, como por exemplo o Oneirocrítica do Artemidoro, que não deixa de ser um tratado da mentalidade da época, da linguagem literária da época, dos costumes da época. A interpretação dos sonhos de Freud é um texto de grande beleza, profundidade e qualidade literária.

Os sonhos são tão subjetivos quanto a ficção, talvez até mais. Os sonhos, os sonhadores, foram o motivo do Romantismo. Um grande sonho é a viagem de Ulisses, toda a literatura é um grande sonho da humanidade, sonhado de olhos abertos mas voltados para o mundo interior, o mundo imaginativo, o mundo ontológico.

JC – Nesse seu Caderno de Sonhos, assim como no perfil que você realizou de Clarice Lispector, você demonstra uma escrita solta, fluida; já no livro de contos Noturnos há uma preocupação nítida em ser formal, os contos seguem uma regra rígida, quase como um poema clássico. Comente um pouco a diferença entre a forma presente nesses livros.

AM – Noturnos esta mais na linha do Amrik, um livro bastante solto em termos de estrutura mas com uma preocupação gestáltica bastante severa. Talvez por ter tido uma formação em artes plásticas, fui desenhista e colorista, estudei artes na minha juventude, eu tenha uma preocupação estética com os textos; mas isso surgiu de forma mais clara nos meus últimos livros. Também achei que em Noturnos a forma fixa de um conto por página e todos com o mesmo número de linhas seria uma maneira de criar harmonia entre os contos e dar unidade, de forma a parecerem ser sempre narrados pela mesma narradora, o que é a mais pura verdade. No caso de Amrik, a linguagem da narradora, Amina, era tão solta, tão livre, que senti necessidade de uma organização formal. Gosto também do ritmo de leitura que a forma escolhida provoca, e gosto de fechar capítulos com efeitos literários, adoro trabalhar com efeitos literários, e o fato de fazer pequenos capítulos permite esse exercício.

JC - Por falar na biografia de Clarice, como surgiu a idéia de realizar um perfil da autora?

AM – Foi um pedido de um filósofo e escritor que trabalhava na Fundação Rio e estava realizando uma coleção de textos sobre o Rio de Janeiro, chamada Perfis do Rio. Um dos segmentos da coleção era sobre escritores e sua relação com a cidade. Ele me pediu que fizesse sobre o Rubem Fonseca, mas não aceitei, sabendo que o Rubem não gostaria. Então o filósofo me deu uma lista de escritores. Fiquei entre o Manuel Bandeira e a Clarice, adoro ambos, mas acabei escolhendo a Clarice, pois estava no meio de meu livro Desmundo, no qual eu vivia um processo de libertação das estruturas tradicionais de narrativa e construção de linguagem. Nada como conviver com Clarice, para aprender a ter asas literárias.

JC – Na sua estréia literária, Boca do Inferno, você contou com o auxílio de Rubem Fonseca para confeccionar a obra. Qual a razão dessa ligação? E qual foi a importância de Fonseca no seu trabalho de escritora?

AM – O Rubem não me ajudou na confecção do livro. Ninguém pode ajudar ninguém a confeccionar o livro. Aprendi com ele a ter dedicação, a necessidade de se abdicar do mundo para se entregar na realização de uma obra, seja ela qual for; e muitas coisas de técnica de construção narrativa; mas eu mesma tinha de dar um jeito de aplicar o que aprendia. Um livro é algo tão complexo que apenas o escritor pode encontrar suas soluções, e mesmo o escritor muitas vezes se perde na complexidade da construção do livro. Ele foi importante porque acreditava no meu livro, na minha aptidão literária, e me estimulava bastante a prosseguir, especialmente nos momentos em que eu pensava em desistir. Afinal, foram dez anos de trabalho até a publicação do romance.

JC - Voltando a falar de Boca do Inferno, como surgiu o interesse de fazer romances com temáticas históricas?

AM – Veja só como tudo no final da certo, tudo é a mesma coisa. Foi a partir de um sonho que tive, e que era passado em Paraty, na Idade do Ouro. Escrevi o sonho num caderno de sonhos, no começo dos anos 70, e em 79 retomei o sonho, para escrever um conto. Fui pesquisar na Biblioteca Nacional e descobri aspectos tão dramáticos, tão romanescos, do passado do nosso País, que fui me apaixonando. Cada descoberta me levava a nova descoberta, naquele tempo quase não havia livros sobre a história das mentalidades no Brasil, quase nada sobre Gregório de Matos. Só autores baianos se debruçavam sobre sua vida, que sempre foi um enigma e continua sendo, e pouco se sabia sobre os costumes antigos, sobre a vida das pessoas. Agora tem sido publicadas avalanches de livros sobre os mais diversos temas do nosso passado, especialmente na ocasião das festas dos 500 anos do Brasil. Mas o meu interesse literário se concentra mais na história literária. Acredito que trabalhando com as linguagens antigas eu possa enriquecer a minha ficção. E sou apaixonada pelo trabalho de arqueologia lingüística, uma ciência que não se ensina nas escolas. Adoro colecionar palavras fora de uso, expressões esquecidas.

JC – Quais são seus próximos projetos?

AM – Estou escrevendo, há uns três anos, um novo romance, sobre uma escrava africana, passado no século 19. Não gosto muito de falar sobre o working in progress, e só posso dizer, de interessante, é que depois de escrever mais de duzentas paginas descobri que tinha erros de concepção, tive uma idéia melhor e agora estou de novo na página 14. Ossos do oficio.



Jornal do Commercio - 29.09.2000

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